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Lima de Freitas
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Lima de Freitas
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Neo-realismo, surrealismo, realismo fantástico, pós-modernismo. O legado artístico de Lima de Freitas confunde-se com várias correntes, o que impede, por isso, que seja unânime a atribuição de uma terminologia que defina, claramente, o traço do pintor.
O próprio Lima de Freitas sentia relutância em se identificar com qualquer corrente. Contudo, é comum encontrar registos sobre a obra do artista setubalense que a conotam, fundamentalmente na sua última fase, com um surrealismo marcado pelo misticismo e esoterismo.
Representativos do traçado muito próprio, de motivos gnóstico e feérico, são quadros como “O anjo duplo” (1988) e a “A visão de Ezequiel” (1984).
A criatividade de Lima de Freitas esteve sempre aliada ao seu espírito crítico, que o fez, por exemplo, pertencer ao antigo MUD Juvenil (Movimento de Unidade Democrática) e ser preso pela PIDE em 1949.
Partilhou as perspectivas de Júlio Pomar e começou por ser adepto do neo-realismo e da arte de teor social, características bem patentes em imagens como “O louco” (1950), “Estivadores” (1947) e “Cabeça amarrada” (1956).
O misticismo presente nos trabalhos de Lima de Freitas foi-o buscar, em determinado período, ao Oriente, elemento que pode ser admirado no quadro “S. Francisco Xavier na Índia”, patente no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal.
Detentor de uma técnica ao alcance de poucos, Lima de Freitas foi, também, ilustrador, gravador, publicitário, desenhador e, no campo das letras, tradutor e ensaísta, tendo publicado títulos como “Pintura incómoda” (1965), “Almada e o número” e “Imagens da imagem” (ambos de 1977).
Como pintor, vertente na qual que se estreou em público, com apenas 20 anos de idade, na II Exposição Geral da Academia de Música e Belas Artes da Sociedade Nacional de Belas Artes, teve oportunidade de expor em praticamente todo o País e em nações como Inglaterra, Polónia, França ou Dinamarca.
Nascido em 22 de Junho de 1927, em Setúbal, teve uma vida activa bastante preenchida, salientando-se a criação (em colaboração com o pintor irlandês Patrick Swift) da conhecida cerâmica algarvia de Porches, a ocupação dos cargos de presidente do Conselho Científico da Academia de Música e Belas Artes Luísa Todi, de primeiro director do IADE – Instituto de Arte e Decoração de Lisboa e do Teatro Nacional D. Maria II.
Entre as várias distinções que Lima de Freitas obteve durante a carreira, constam a homenagem pela Câmara Municipal com a Medalha de Honra da Cidade e as condecorações de "chevalier e officier de L’Ordre du Mérite", atribuídas pelo Governo francês. Recebeu ainda o título de comendador da Ordem de Santiago da Espada.
Exímio no retrato, perpetuou com o seu traço figuras como D. Manuel Martins, antigo bispo de Setúbal, Alves Redol ou Fernando Namora.
Pintou igualmente Snu Abecassis, num trabalho que se reveste da curiosidade de ter que refazer, a pedido da fundadora das Publicações Dom Quixote, o fundo original, uma vez que a então companheira de Sá Carneiro se sentiu “desnudada” com a configuração inicial do cenário criado pelo artista.

 

Lima de Freitas, In “Lima de Freitas – 50 anos de pintura”

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